"O Despertar Invisível"
Sentes-me antes mesmo de me leres. Palavras que deslizam silenciosas, lentas, insistentes, Percorrendo cada recanto da tua mente, Tocando lugares que julgavas adormecidos. Cada sílaba é um dedo que não vês, Cada estrofe, lábios invisíveis que percorrem a espinha, Provocando arrepios antes de perceberes. A poesia não se lê — entrega-se. Não se contempla — respira-se, arrepia-se, dissolve-se. Cada palavra é pele, cada rima é língua, Cada pausa, promessa de toque que nunca viste. O ritmo pulsa como coração ofegante, A cadência das frases imita a tua respiração, Suspensão, tensão, antecipação… O corpo mental reage primeiro, mas o físico segue, inevitável. Sentes o calor subir lentamente, O sangue aquece, a mente imagina, o corpo responde, Cada metáfora é toque, cada linha é lábio, Cada estrofe é onda que sobe e desce, que arrasta. Fecho os olhos e sinto-te percorrer-me, Cada pensamento transforma-se em carícia, Cada memória desperta desejo, Cada arrepio cresce, persist...