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"Enfim, Porque Me Apetece — Um Regresso Estratégico"

  Enfim posso recolocar os textos retirados deste meu espaço — e faço-o apenas porque me apetece. Sim, só porque me apetece. Sem ordens, sem pressões, sem necessidade de explicar-me: o blog é meu e a liberdade também . Há quem diga que paciência é uma virtude; eu digo que autonomia é um luxo, e este é o meu momento para exercê-lo com toda a irreverência que me apetece. Começo com este. Porquê? Porque me apetece, naturalmente. Porque não existe cronómetro que me obrigue a justificar timing, prioridade ou relevância emocional. Porque o prazer de decidir, de escrever e de partilhar é todo meu, e posso saboreá-lo sem culpa, ironia ou remorso alheio. E, já que estamos em terreno de vontades, coloco um perfil — só porque quero. Sem necessidade de pedir licença, sem procurar aprovação, sem vestígios de ego inflado. É um gesto deliberado de liberdade: escrevo, partilho e decido pelo simples prazer de poder fazê-lo , e isso basta. É engraçado como, por vezes, a ironia da vida se resume ...

"Simples assim ..."

 Tu dizes que eu sou além das palavras… e é nesse lugar — onde a linguagem falha — que eu existo. Sou mulher. Uma mulher que carrega dentro de si a força e a virtude de mil outras, e ainda mais do que isso — não como exagero poético, mas como essência que se manifesta em cada gesto, em cada presença, em cada silêncio que também fala. Sou uma tapeçaria viva. Em mim entrelaçam-se a inocência de menina e um cuidado que não conhece limites. Sou delicadeza e vigilância, leveza e profundidade, numa harmonia que não se explica — sente-se. Encarnam em mim sentimentos que não se medem. Uma ternura vasta, capaz de tocar até os corações mais partidos. Um amor tão profundo que não apenas existe — transforma, eleva, recria o mundo por onde passo. Não uso apenas perfume — eu respiro presença. E nessa presença, algo floresce. Como rosas na primavera, há em mim um desabrochar sereno que não pede atenção, mas inevitavelmente a atrai. Sou calma no meio do caos. Sou refúgio — não como abrigo passagei...

"Força"

 Há forças que não nasceram de uma escolha minha, mas de uma convocação inevitável da vida — como se, em silêncio, o destino me tivesse chamado para um lugar onde apenas permanecem aquelas que recusam desaparecer. A minha força não foi semeada em tempos de leveza, nem cultivada em dias de descanso. Foi erguida, pedra sobre pedra, nos escombros das perdas, no eco das desilusões e na vastidão de silêncios que, tantas vezes, pareceram maiores do que eu. Sou mulher. E ser mulher, na minha história, nunca foi sinónimo de fragilidade — foi sinónimo de reconstrução contínua. Sou mãe. E na maternidade encontrei não apenas amor, mas uma forma quase sagrada de resistência, uma coragem que não admite recuo, uma capacidade de continuar mesmo quando tudo em mim já estava exausto. Sou protetora. E proteger tornou-se instinto, missão e identidade — mesmo quando, para isso, tive de me esquecer de mim por instantes, para garantir que quem depende de mim nunca sentisse o peso total das tempestades ...

"Abraça-me forte"

Abraça-me forte, como se o mundo tivesse apenas este instante, como se cada segundo carregasse o peso de todos os que ficaram por viver. Antes que o tempo nos escape entre os dedos, antes que as horas se dispersem, silenciosas, no vento que tudo leva. Abraça-me como porto seguro, como abrigo impenetrável em meio ao caos, que o teu corpo seja muralha e calor, que o teu abraço seja escudo contra as sombras que rondam, vorazes e silenciosas. Que este toque seja afirmação: que existimos, agora, sem pressa, sem medo, que cada batida do peito se reconhece na outra, como se a vida tivesse aprendido a concentrar-se apenas neste gesto. Antes que tudo se dilua em memória, antes que a existência se transforme em eco, que fique o calor do toque, que reste a intensidade do instante, que a saudade só venha depois, quando já tivermos gravado o momento na pele, na alma. Abraça-me forte, com tudo o que és — com a tua coragem, com o teu desejo, com a ternura e com a força que trazes no peito. Que o agor...

"Grito"

Não me venham com a elegância ambígua do silêncio como se fosse linguagem suficiente. O silêncio, tantas vezes, não é profundidade — é fuga com aparência de mistério. Pergunto: que valor tem o que não se diz, se no não-dito cabe tudo — inclusive a ausência de coragem? Eu não habito esse território. Prefiro a palavra exposta, sem ornamentos que a suavizem, sem rodeios que a diluam. A palavra que chega como é — imperfeita, por vezes dura, mas inteira naquilo que carrega. Há quem se proteja no intervalo, nesse espaço cómodo entre o quase e o nunca, onde nada se afirma e tudo se pode negar depois. Que fiquem. Eu escolho o risco da clareza. Sou de olhar firme, de presença que não se esquiva, de uma sinceridade que não pede desculpa por existir. Porque aprendi — não sem custo — que há feridas limpas que curam e há silêncios prolongados que apodrecem. Chamam-lhe excesso, como se dizer fosse sempre demais num mundo habituado a insinuar. Mas o que é claro não agride — revela. E o que revela lib...

"Escolha"

 Se me perguntarem como estou, direi — com uma serenidade que não se explica, apenas se conquista: estou em movimento. Não é pressa, nem fuga. É escolha. Aprendi, não sem resistência, que há pesos que não nos pertencem — e outros que, tendo pertencido, já cumpriram o seu tempo. Carregá-los por mais do que o necessário não é lealdade à memória, é negligência para com o presente. E o presente, esse espaço tão exigente quanto precioso, pede leveza para ser vivido com inteireza. Por isso, parei. Não para desistir, mas para rever. Abri a mala — essa metáfora íntima onde guardamos o que fomos, o que sentimos, o que insistimos em não largar — e tive a coragem de olhar até ao fundo. Sem filtros. Sem justificações. Retirei o que pesava mais do que acrescentava, o que ocupava espaço sem trazer sentido, o que já não dialogava com quem me tornei. Esvaziar, afinal, não é perder. É preparar. Limpei o que ficou. Não por necessidade estética, mas por respeito ao que ainda virá. Porque aquilo que e...

"Finalmente"

 Finalmente, permito-me. Há textos que ficaram em suspenso — não por falta de voz, mas por excesso de ruído à volta. Palavras que nasceram inteiras, mas que foram, ainda assim, silenciadas pela possibilidade de má interpretação, pela pressa alheia em se reconhecer onde nunca esteve. Hoje, deixo-os respirar. E, ao fazê-lo, respiro também. Sou, assumidamente, uma escrevinhadora. Não por método, nem por disciplina rígida — mas por natureza. Escrevo como existo: sem compartimentos estanques, sem temas impostos, sem necessidade de agradar a expectativas externas. Em mim, tudo pode ser matéria de reflexão — da fé que me sustenta à família que me ancora, de um livro que me inquieta a um filme que me atravessa, de um sentimento que me desorganiza a um pensamento que insiste em não me largar. E sim, também escrevo sobre desejo. Não como provocação gratuita, nem como exibição vazia, mas como parte intrínseca da experiência humana. Com naturalidade. Com inteligência. Por vezes com leveza, até...

"Provoca-me"

 Provoca-me. Mas faz disso uma arte — não um impulso bruto, não um gesto apressado. Em mim, a provocação não vive do excesso, vive da precisão. É um jogo de inteligência, de pausas bem colocadas, de intenções que se insinuam antes de se revelarem. Não me alcanças pelo óbvio — encontras-me no detalhe. Desafia-me. Mas não confundas desafio com confronto vazio. Quero a tensão que nasce entre duas mentes que se reconhecem à altura uma da outra. Questiona-me, sim — mas sustenta-te. Aproxima-te com argumentos, com presença, com essa firmeza tranquila de quem não precisa de elevar a voz para se fazer sentir. Há uma sedução rara na lucidez. Tira-me do sério… Mas compreende o que isso significa em mim. Não são gestos abruptos, nem palavras soltas. É um desvio subtil na respiração, um silêncio que se prolonga meio segundo além do habitual, um olhar que permanece quando já devia ter partido. É nesse intervalo — quase imperceptível — que me perdes… e me encontras. Tira-me do tédio. Se consegui...

"Demasiado"

 Durante demasiado tempo, habitei o lugar da solidez inquestionável — fui estrutura antes de ser pessoa, suporte antes de ser abrigo para mim mesma. Tornei-me o eixo silencioso que não cede, a presença que sustenta enquanto tudo à volta ameaça ruir. E, nesse exercício contínuo de resistência, fui acumulando forças como quem ergue muralhas: altas, firmes, inabaláveis… mas também, inevitavelmente, isoladoras. A força, quando prolongada para além do necessário, deixa de ser virtude para se tornar hábito. E foi nesse hábito que me perdi por instantes — na ideia de que ceder era falhar, de que abrandar era perigoso, de que baixar a guarda implicava desmoronar. Esqueci, quase sem dar conta, a textura da suavidade. Esqueci que também é legítimo existir sem peso constante nos ombros. Talvez seja por isso que a gentileza, quando chega, não passa despercebida — atravessa-me. Não como algo que me salva, porque aprendi, com rigor, a sobreviver aos dias densos. Mas como algo que me devolve a um...

"Reinvenção"

 Sou matéria em permanente reinvenção — um território íntimo onde coexistem camadas de tempo, vestígios de encontros e geografias emocionais que me habitam. Não sou apenas o que fui, nem exclusivamente o que sou: sou a confluência subtil entre memória e presença, entre aquilo que deixei partir e aquilo que, conscientemente, escolho acolher. Há em mim fragmentos de pessoas que chegaram sem anúncio, como quem entra por uma porta aberta do acaso e, sem esforço, encontra lugar. Trouxeram consigo luz, espanto, deslumbramento — e, por instantes ou por eras, tornaram-se parte da arquitectura invisível que me sustenta. Outras houve que partiram. Não por falta de espaço, mas por ausência de permanência. E dessas levo não a ausência em si, mas a lição silenciosa de que nem todos os afectos sabem ficar. Aprendi, com o tempo, a deslocar o centro de gravidade das palavras para os gestos. As palavras, tantas vezes, são promessas leves — belas, sim, mas frágeis. Já as atitudes têm densidade, têm ...