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"O que andamos a pesquisar no Google em 2025 (e o que isso revela sobre nós)"

Introdução:  O Google como confessor universal Se Santo Agostinho tivesse vivido em 2025, talvez não tivesse escrito as suas Confissões num pergaminho, mas antes numa barra de pesquisa. O Google tornou-se, para muitos, uma espécie de oráculo digital: não julgamos, não hesitamos, apenas perguntamos. Queremos saber o estado do tempo, como se escreve “curriculum vitae” sem erros, quem ganhou o último clássico de futebol e até se é verdade que beber água com limão em jejum faz milagres (spoiler: não faz). O que parece banal é, na realidade, um retrato colectivo da humanidade. As estrelas das pesquisas em 2025 Os relatórios de análise digital (Semrush, Ahrefs, Similarweb) convergem em algumas conclusões surpreendentemente… pouco surpreendentes. Eis os termos que mais aparecem nas nossas pesquisas: YouTube – não é apenas a maior plataforma de vídeos do mundo; é o substituto da televisão, da sala de concertos e até da biblioteca. Facebook e Instagram – as redes sociais continuam no pódio....

"Prova."

 Se a vida é uma prova, não é daquelas de escolha múltipla em que basta adivinhar. É antes uma prova aberta, de resposta longa, em que cada gesto, cada silêncio e cada tropeço se transforma em parágrafo avaliado pela própria consciência. O mundo, esse vasto colégio invisível, funciona como uma escola de lapidação: todos matriculados, ninguém reprovado eternamente, mas todos obrigados a repetir a lição até a aprender de verdade. Aqui, os alunos somos nós — diferentes anos, diferentes turmas, diferentes ritmos. Uns ainda a soletrar as primeiras letras do autoconhecimento; outros já a rabiscar ensaios sobre o amor, a paciência e a compaixão. E, como em toda a escola, há quem copie, há quem estude, há quem brinque na hora errada. Mas não nos enganemos: neste exame interior não adianta colar, porque a folha de resposta é invisível e está escrita apenas dentro de nós. Quanto aos mestres… ah, esses são raros. Talvez porque o ideal do “mestre perfeito e sabe-tudo” não exista fora da nossa ...

"Obrigada. Ou Obrigado?"

Muito têm questionado sobre o que escrevo, como escrevo, porque escrevo, a minha gramática, qual a minha escolaridade. Como já disse, disse e escrevi, para uns ouviram diretamente, outros leram, não sou escritora, sou escrevinhadora. Sei que é uma palavra inventada, e talvez seja aí que reside a minha maior ousadia: a de me inventar a mim própria a cada linha. Escrevinhadora vem de escrevinhar, esse verbo meio desprezado que significa “escrever de forma rápida, descuidada, sem polimento, quase como um rascunho” . Pois eu assumo: escrevinho como quem respira, como quem rabisca o pensamento antes que ele fuja. Não é menoridade literária, é liberdade assumida. Não sou professora de português, não sou doutorada em semântica, não ensino escrita criativa, mas o primeiro ciclo, ah, esse tenho de certeza. Aprendi as vogais, as consoantes, juntei sílabas, formei palavras, e com elas construo o meu mundo privado de sentidos. E quando me perguntam porque escrevo “obrigada” e não “obrigado”, sor...

"Batalhas..."

 Há guerras que não se vencem no campo do ruído, mas no santuário do silêncio. Aprendi que há uma força que só nasce quando a boca se cala e o coração se ajoelha. No instante em que o mundo exige explicações, eu escolho permanecer em quietude, como quem estende as mãos ao invisível e se deixa sustentar por Ele. O meu silêncio não é desistência, é confiança; não é ausência, é plenitude; não é recuo, é avanço secreto no território da fé. Enquanto outros interpretam o meu calar como fraqueza, eu reconheço nele a audácia de não me deixar arrastar pela corrente da fúria. Existe uma dignidade rara em permanecer serena diante da tempestade, um tipo de coragem que não ergue armas mas conserva a paz. E é nessa serenidade, tantas vezes mal compreendida, que o Espírito me molda e me fortalece. O silêncio é a minha oração mais profunda. Ele não se mede em palavras, mas em entrega. É no espaço do não dito que o meu coração aprende a repousar no Mistério, a confiar que a Verdade não precisa da m...

"Do nada... Rir"

 Às vezes penso que devia receber um prémio Nobel da subtilidade social. Desaparecer sem aviso de certas vidas é uma arte que poucos dominam. Não é fuga, não é drama, nem covardia: é pura ginástica de liberdade. Mudo cafés, rotinas, horários, como quem troca de meias — e, claro, só dão por isso meses depois. A minha cadeira habitual fria, eu noutra vida, eles a desesperar. Hilariante. O circo começa logo a seguir. Pessoas que nunca me ouviram transformam-se em detetives de bairro. Perguntam a amigos, sondam contactos, fazem inquéritos sobre onde ando, com quem falo, o que faço da vida. Imaginem a frustração: todo o suspense, todo o teatro, e o resultado é… nada. O meu crime? Preferir a paz à companhia deles. Clássico da comédia negra. E o melhor? O meu blog, que escrevo por prazer, tornou-se a principal arma deles. Usam-no para falar mal, colocar nomes, inventar histórias. Há mais de um ano que não lhes dirijo palavra, que não quero contacto, e mesmo assim transformam a minha ausên...

"Flor e ferro. Texto final. 🌹🪨"

  Manifesto — Flor e Ferro Vivo num mundo apressado, onde todos correm sem saber para onde. Onde o tempo escorre entre os dedos como areia fina, e quase ninguém pára para se perguntar: “qual foi o dia mais feliz da minha vida?” Eu perguntei. E a resposta não me trouxe um único dia, mas instantes dispersos, fragmentos de eternidade guardados em silêncio. O riso dos meus filhos. O olhar do meu marido. Um abraço inesperado. Um pôr do sol em que chorei sozinha, mas sentia-me inteira. Não são marcos de calendário. São pulsares de vida. Às vezes, para suportar a dor, vesti armaduras. De fora, parecia ferro. Aço. Pedra. Um corpo frio que nada fere. Mas não sou. Nunca fui. Atrás dessa couraça existe uma mulher feita de carne e nervo, de lágrima e ternura. Atrás da couraça existe uma flor. Uma flor que ama, que quer ser amada. Que abraça e precisa de ser abraçada. Que cuida e deseja ser cuidada. Que protege, mas implora também ser protegida. Não sou frágil. Não sou forte. Sou resiste...

"Poema da Resistência, do Tempo e do Amor"

  Às vezes, para suportar a vida, visto uma armadura invisível. De fora, pareço ferro, aço, um corpo frio de matéria imutável. Mas dentro de mim, não há ferro, não há aço: há uma mulher resistente, que já chorou lágrimas de fogo, que já sangrou de emoções, que já se partiu em fragmentos e soube transformar os estilhaços em luz. Atrás da couraça, existe uma flor que ama e quer ser amada, que abraça e deseja ser abraçada, que cuida e clama por cuidado, que protege e implora proteção. Não sou frágil. Não sou forte. Sou resistente. Resistente como raiz que atravessa pedra, como rio que fende a montanha, como chama que insiste no vento. E pergunto: qual foi o dia mais feliz da minha vida? Em que momento fui inteira, viva, presente? Se pudesse voltar atrás, saberia escolher? Ou deixei passar despercebido o instante que me tocou para sempre? A vida é apressada, corre sem pedir licença. E nós, tolos viajantes, esperamos sempre pelo amanhã, quando o ontem j...