"Beleza"
A beleza mais pura não nasce onde tudo está resolvido. Nasce no lugar da dúvida, da fratura, da inquietação que nos obriga a olhar para dentro quando preferíamos desviar o olhar. É no ponto exacto da insegurança — esse território instável — que a identidade começa a ganhar forma. O mundo, incapaz de lidar com o que não controla, apressa-se a nomear. Rotula para reduzir, classifica para não ter de compreender. “Estranha.” “Esquisita.” “Demasiado.” Mas aquilo que é chamado de excesso raramente o é por falta de medida; é excesso apenas para quem vive contido. Entramos na vida muitas vezes já marcadas por expectativas alheias, carregando julgamentos que antecedem qualquer gesto nosso. Subimos ao palco com medo, conscientes de que ser autêntica implica risco. No entanto, é precisamente aí que acontece a transformação: quando deixamos de representar, quando recusamos a versão domesticada de nós mesmas. A autenticidade não garante aplausos imediatos. Garante algo mais raro: coerência...