"O Melhor Lugar do Mundo Talvez Seja um Abraço"
Durante muito tempo acreditámos que a maior pobreza era a falta de dinheiro. Medimos o sucesso por aquilo que se possui, pela casa, pelo carro, pela conta bancária, pelas viagens ou pelo estatuto social. Sem dúvida que a pobreza material existe, é real e merece toda a nossa atenção. Ninguém escolhe a privação, e uma sociedade verdadeiramente humana não pode permanecer indiferente ao sofrimento de quem não tem o necessário para viver com dignidade. Mas existe outra pobreza, muito mais silenciosa, que raramente aparece nas estatísticas. É a pobreza afectiva. É a ausência de um lugar onde possamos repousar sem medo. Talvez a maior carência do ser humano não seja a falta de bens, mas a falta de um lugar onde a alma possa finalmente baixar as defesas. Porque viver constantemente em alerta é uma forma lenta de sobreviver. E sobreviver nunca foi o mesmo que viver. Há pessoas que passam a vida inteira a representar papéis. São fortes para os filhos, competentes no trabalho, disponíveis para os...