"Hoje resolvi responder"

 Boa tarde, caros leitores.

Hoje resolvi responder — com alguma frontalidade e, confesso, uma boa dose de humor — a quatro e-mails que recebi. Diferentes nas palavras, mas curiosamente alinhados naquilo que procuram: uma versão de mim que não existe.

Começo pelo essencial.

Muitos perguntam:
“Porque não publica os textos que lhe pedem? Porque não responde directamente às questões ou às histórias que lhe enviam?”

A resposta mais simples seria: falta de tempo. E sim, o tempo é limitado. Mas essa é apenas a superfície.

A verdade é esta: eu não escrevo por encomenda emocional. Não escrevo para corresponder a expectativas. Não escrevo para alimentar curiosidades ou agendas que não são minhas.

Eu escrevo por critério.

E esse critério é algo que não negocio.

Peço, por isso, que leiam com atenção. Não haverá respostas isoladas — tudo está aqui, com clareza, alguma ironia (porque há coisas que só mesmo com humor) e total sinceridade.

Passemos à segunda questão:

“Aquilo que escreve é uma personagem? É uma construção? Está a representar um papel?”

Meus caros… não trabalho para a indústria cinematográfica. Não tenho vocação para o teatro, nem talento para viver em personagem. Já me basta o desafio exigente que é ser eu própria — todos os dias, em coerência.

Agora, se falamos de construção — então sim.

Mas não confundamos.

Somos todos construção, mas há diferenças importantes:

Há quem construa uma imagem.
E há quem construa carácter.

As qualidades não surgem — praticam-se.
A integridade não se anuncia — exerce-se.
O amor não se declara apenas — constrói-se.

Tal como um casamento não é uma ideia bonita, mas uma obra diária. Tal como as amizades não sobrevivem de palavras, mas de consistência.

Eu não vivo de parecer. Eu trabalho para ser.

Terceira questão:

“Porque não escreve textos a expor pessoas, a dizer nomes, a criticar, a denunciar comportamentos ou profissões?”

A resposta é curta, mas firme: não.

Não utilizo a palavra para humilhar, difamar ou atacar a dignidade de ninguém. Não me interessa. Não me representa.

Sou cristã. Sou católica. E isso, para mim, não é um rótulo conveniente — é um compromisso.

Não julgo.
Não arrasto.
Não transformo vidas alheias em conteúdo.

Se alguém o faz comigo?

Não me compete.

Cada um dá ao mundo aquilo que carrega dentro de si. E eu sei bem o que escolho dar.

Quanto às tentativas de provocação… deixo já esclarecido: não respondo. Não por falta de argumentos — mas por excesso de critério.

E agora… a quarta questão.

Confesso que esta merece um pequeno sorriso.

Porque quando li, pensei: realmente, há níveis de curiosidade que ultrapassam qualquer expectativa.

Perguntaram-me — de forma muito directa — coisas como:
“Dá o cu ao seu marido?”
“Faz sexo oral? Chupa-o?”
“Fazem sexo em todo o lado?”

E eu parei. Respirei. E ri.

Não por desrespeito — mas porque estas perguntas dizem muito mais sobre quem as faz do que sobre quem as recebe.

Ainda assim, respondo. Com elegância. E com humor, porque a situação assim o exige.

Sou uma mulher amada. Bem amada. Muito bem amada. E isso, acreditem, resolve mais do que qualquer detalhe técnico que alguém queira saber.

Aquilo que acontece dentro de um casamento pertence ao casal. Não é matéria pública, não é tema de discussão, não é conteúdo para consumo.

Há uma diferença entre curiosidade e invasão. E algumas perguntas atravessam essa linha com uma naturalidade impressionante.

Agora, uma coisa posso garantir: quando há amor, respeito e cumplicidade, a intimidade não se explica — vive-se.

E vive-se bem.

Muito bem.

O resto… fica onde deve estar: no espaço privado, protegido, respeitado.

E talvez o problema do nosso tempo seja exactamente este: a necessidade de expor tudo, de transformar tudo em discurso, de validar tudo através do olhar externo.

Mas há coisas que não precisam de palco para existir.
Há coisas que ganham valor precisamente porque são resguardadas.

E termino assim:

Eu não estou aqui para corresponder às expectativas de ninguém.
Não estou aqui para ser personagem, nem alvo, nem espectáculo.
Não estou aqui para alimentar curiosidades vazias.

Estou aqui para ser coerente.

Com aquilo que penso.
Com aquilo que acredito.
Com aquilo que vivo.

E isso — com humor, com firmeza e com total tranquilidade — é algo que não abdico.

Com respeito,
com clareza,
e com a serenidade de quem não precisa de se explicar para existir.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

"Penso logo afasto-me"