"As raízes não escolhem o solo"
Há raízes que nos deram água. E há raízes que, apesar de nos terem alimentado, também nos apertaram. Há árvores que crescem direitas porque encontraram desde cedo espaço, luz e terra suficiente para se expandirem. E há outras que crescem inclinadas, não porque lhes falte vontade de alcançar o céu, mas porque passaram anos a contornar pedras que ninguém via. Talvez sejamos um pouco assim. Crescemos a partir de um lugar que não escolhemos. A família é o nosso primeiro solo. É ali que chegamos ao mundo antes de possuirmos linguagem para o compreender. É ali que aprendemos, muito antes de sabermos nomeá-lo, se um abraço significa segurança ou se pode desaparecer a qualquer momento; se podemos falar ou devemos permanecer calados; se errar é uma oportunidade para aprender ou uma ameaça; se somos recebidos pelo que somos ou se precisamos de nos transformar para merecer amor. Antes de sabermos quem somos, alguém nos devolve uma imagem de nós. E passamos muitos anos a descobrir se essa imagem c...