"Voluntário"
Este é um acto voluntário. Não nasce da resignação. Nasce da liberdade. Por isso digo-o sem ironia, sem ressentimento e sem necessidade de convencer ninguém. Fiquem com a versão de mim que vos for mais conveniente. Aquela que construíram sem nunca terem suportado o incómodo de me conhecer. Aquela que nasceu de frases interrompidas, de conversas pela metade, de interpretações precipitadas, de silêncios preenchidos pela imaginação e de histórias repetidas tantas vezes que acabaram por adquirir o estatuto ilusório de verdade. Fiquem com ela. Fiquem com a versão da vilã. Aquela que, convenientemente, explicava todos os desconfortos sem obrigar ninguém a olhar para dentro de si. A personagem que servia de palco para culpas que pertenciam a outros, de medos que nunca foram meus e de responsabilidades que alguém precisava desesperadamente de colocar em ombros alheios. Fiquem também com a versão da coitada. Da vítima permanente. Da mulher incapaz. Da ingénua. Da burra. Da que não percebe. Da q...