"Um Dia de Verão na Praia da Rainha"
O sol de agosto brilhava no céu, refletindo-se nas águas frias da Praia da Rainha. O dia prometia aventuras e sorrisos, especialmente para os mais novos, que mal podiam conter a excitação. No carro, para tornar a viagem mais animada, decidimos fazer um jogo: dizer palavras conectadas por uma determinada letra. Claro que era um pouco injusto para os mais novos, mas mesmo assim jogamos. Entre risos e protestos, cada um tentava encontrar a palavra certa antes que o tempo acabasse.
Ao chegarmos, a impaciência deu lugar à euforia. Eu, meu marido e nosso filho nunca fomos do tipo que se contenta em ficar na toalha. O mar nos chama, os mistérios das criaturas marinhas nos fascinam. Cada onda que toca a areia é um convite à exploração. Já a professora e seu filho têm um ritmo diferente. O frio da água os mantém afastados das profundezas do oceano, e o sol, embora convidativo, não é um aliado da professora. Mas isso não impediu que o dia fosse especial.
Meu filho, ansioso pela praia, encontrou no amigo uma companhia perfeita. São diferentes, complementares até. O filho da professora tem uma energia inesgotável, um talento natural para o desporto, enquanto o meu brilha em números e palavras, construindo pontes entre línguas e cálculos. Entre correrias pela areia e mergulhos audaciosos, os dois formaram memórias que ficarão guardadas nos corações inquietos da infância.
Na hora da refeição, sentei-me ao lado da professora. Não por pena, mas porque queria que ela soubesse que estávamos todos juntos, que fazia parte daquele momento. Seu filho, travesso e encantador, espalhava alegria à sua volta, e eu não pude deixar de admirar a sua vivacidade.
O dia chegou ao fim com o sol se pondo sobre as águas inquietas, tingindo o céu de laranja e rosa. Voltamos para casa com a pele salgada e os corações aquecidos, sabendo que, apesar das diferenças, tínhamos vivido um dia de cumplicidade e partilha. A praia não é apenas areia e mar—é o cenário onde laços se fortalecem, onde amizades crescem e onde, por um dia, todos falamos a mesma linguagem: a da felicidade simples e sincera.
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Nota de Autora
Este texto foi escrito a partir de um dia simples.
Um dia de verão na Praia da Rainha, em agosto de 2023, com a leveza típica de uma rotina de praia com crianças, deslocações, conversas soltas e a natural imprevisibilidade das interações entre famílias.
Foi registado como se registam muitos outros momentos: para memória futura, sem intenção de os transformar em narrativa maior do que aquilo que foram.
Ao reler hoje, não há qualquer necessidade de reinterpretação emocional.
Há apenas reconhecimento factual de um dia que existiu.
Um jogo de palavras durante a viagem, a chegada ao mar, o ritmo diferente entre adultos e crianças, os respectivos interesses, e a convivência natural entre pessoas que partilharam o mesmo espaço durante algumas horas.
A referência à professora e ao seu filho enquadra-se apenas nesse contexto de proximidade circunstancial. Não acrescenta, nem retira, significado ao que foi vivido. Apenas descreve uma presença no mesmo cenário.
Houve, sim, um momento simples na hora de regressar. Um comentário breve sobre a sua voz ao cantar — um registo apenas observacional, sem elaboração posterior. Nada mais do que isso.
Este tipo de detalhe não permanece no texto porque pertence ao instante, não porque o transcende.
O meu filho não retém esta memória, como é natural. A infância não se organiza em arquivo permanente. Seleciona, descarta, reordena.
Eu retenho porque escrevo. E escrever, neste caso, não é sentir — é registar.
Hoje, este texto permanece apenas como isso: um registo de um dia agradável, comum, irrepetível apenas no sentido em que todos os dias o são.
Não há intenção de o reconstruir.
Nem de o romantizar.
Nem de o prolongar.
Fica apenas o que sempre esteve lá:
um dia vivido, guardado e encerrado.
Com distância.
Com contenção.
E com estima simples pelo que foi, sem necessidade de o transformar no que não é.
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