"Dá-te tempo"

 “Dá-te tempo.”

É uma frase curta, quase leve, mas carregada de um peso que só quem está cansado compreende. Diz-se com facilidade, ouve-se com educação… mas aceitar essa ideia exige uma maturidade que nem sempre temos quando tudo em nós pede urgência.

Vivemos a correr.
A querer resolver depressa o que é profundo.
A curar rapidamente o que ainda está em carne viva.
A exigir de nós respostas para perguntas que ainda não se deixaram formular.

Dar-te tempo é um acto de coragem.
É permitir-te sentir sem culpa. Respirar sem justificação. Parar sem te acusares de fraqueza. É reconhecer que há dores que não se explicam, apenas se atravessam. Que há pedaços que não se colam à força — precisam de silêncio, de cuidado e de descanso.

Dá-te tempo para escutares o que sentes de verdade, não o que esperam que sintas.
Tempo para descobrires quem és agora, porque já não és quem eras.
Tempo para largares o que já não te faz bem, mesmo que um dia tenha feito sentido.

Reconstruir-se não é um processo rápido.
É um trabalho delicado.
Exige calma, honestidade e uma enorme gentileza consigo próprio.

Sem pressa.
Sem comparação.
Sem cobrança.

Tu não estás atrasado.
Tu não falhaste.
Tu não estás perdido.

Estás a viver no teu próprio ritmo.
E isso não é um erro — é respeito pela tua história.

Talvez o maior acto de amor que possas ter por ti seja este: permitir-te o tempo que precisas, e não apenas o tempo que o mundo exige. Porque crescer, curar e transformar-se não obedece a prazos externos.

E agora diz-me, com verdade:
tens-te dado o tempo que precisas…
ou apenas o tempo que te deixaram ter?

Pensa nisto.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

"Agora"