"Preciso de tempo"
Há em mim uma espécie de biblioteca viva que nunca fecha portas, apenas acumula luz e pó ao mesmo tempo. Prateleiras invisíveis onde se alinham pensamentos por acabar, reflexões que ainda respiram, poemas que nasceram de madrugada e ficaram à espera de corpo, ideias que me atravessaram como relâmpagos e não encontraram ainda o chão onde cair. Tenho tanto. Tanto que me habita, tanto que me pede forma, tanto que insiste em não ser esquecido. Há páginas inteiras de mim que ainda não foram escritas — não por ausência de palavra, mas por excesso de vida. Porque viver, às vezes, ocupa o espaço onde escrever aconteceria. E eu estou inteira na vida: no trabalho que me chama, no voluntariado que me alarga, nas mãos pequenas que me procuram todos os dias, no amor quotidiano que construo com o homem que escolhi — esse compromisso silencioso que não se publica, mas se prova. O tempo… o tempo não falta — ele escolhe. E escolhe sempre aquilo que é mais essencial. E eu aceito essa hierarqu...