"Prova."
Se a vida é uma prova, não é daquelas de escolha múltipla em que basta adivinhar. É antes uma prova aberta, de resposta longa, em que cada gesto, cada silêncio e cada tropeço se transforma em parágrafo avaliado pela própria consciência. O mundo, esse vasto colégio invisível, funciona como uma escola de lapidação: todos matriculados, ninguém reprovado eternamente, mas todos obrigados a repetir a lição até a aprender de verdade.
Aqui, os alunos somos nós — diferentes anos, diferentes turmas, diferentes ritmos. Uns ainda a soletrar as primeiras letras do autoconhecimento; outros já a rabiscar ensaios sobre o amor, a paciência e a compaixão. E, como em toda a escola, há quem copie, há quem estude, há quem brinque na hora errada. Mas não nos enganemos: neste exame interior não adianta colar, porque a folha de resposta é invisível e está escrita apenas dentro de nós.
Quanto aos mestres… ah, esses são raros. Talvez porque o ideal do “mestre perfeito e sabe-tudo” não exista fora da nossa imaginação. Aqueles que consideramos sábios não são isentos de falhas; pelo contrário, são justamente os que aprenderam a rir das próprias quedas e a transformar as próprias cicatrizes em lição partilhada. A verdadeira autoridade espiritual não nasce da perfeição, mas da humildade em reconhecer as próprias imperfeições.
No fundo, todos carregamos a mesma condição: alunos-perpétuos de um currículo moral que nunca termina. Temos os nossos vícios, teimosias, fragilidades e mazelas — e é isso que nos humaniza. O erro, paradoxalmente, é um dos professores mais eficazes; a dúvida, um dos livros mais fecundos; a dor, um dos exames mais exigentes.
Por isso digo: boa prova. Não temas o rigor do avaliador, porque ele habita em ti mesma. O teste é intransmissível e intransferível: ninguém pode fazer por ti. Mas há uma boa notícia: todos temos tempo suficiente, e a escola não fecha enquanto a lição não for aprendida.
Entre uma questão difícil e outra, sorri. A gargalhada também é ferramenta de evolução, e há quem passe metade da vida a pensar que o exame é só lágrimas. Não é: também é descoberta, surpresa, amizade, encontro, ternura.
Assim sigo, escrevinhadora e estudante, consciente de que a prova da vida não se trata de alcançar um diploma de perfeição, mas de amadurecer página a página, até que a alma aprenda a escrever a palavra essencial: Amor.
Muita Paz.
Texto de autoria de Marisa, publicado em Fio de Imaginação (@tecehistorias).
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