"Maternidade com fé (ou esperar por ela)"
Ser mulher é caminhar entre promessas e realizações, entre dores que germinam esperança e alegrias que desafiam o mundo a ver a beleza de Deus no quotidiano. E quando falamos de maternidade — seja ela concretizada ou esperada com o coração em suspenso — falamos de um dom que transcende a biologia e mergulha na espiritualidade mais profunda.
Como mulher católica, firmada na Palavra e no silêncio de Deus que tantas vezes mais fala do que mil vozes humanas, compreendo que a maternidade não é apenas gerar no ventre, mas também gerar no espírito. E, por isso, esperar por ela, com esperança e com fé, é também um caminho sagrado.
Nem sempre a maternidade chega na hora que desejamos. Às vezes, não chega da forma que idealizámos. E há momentos em que não chega de todo. Mas isso não significa ausência de valor, fracasso, nem distância da vontade de Deus. A mulher que espera é tão mãe como a que dá à luz. Porque o amor que ela nutre é criador, gerador, sacrificial.
Deus conhece o íntimo da nossa alma. Ele vê as lágrimas escondidas no travesseiro, as preces feitas em voz baixa para não gerar mais expectativa em quem não compreende, e o modo como nos silenciamos diante dos testemunhos de outras mulheres que já receberam o que tanto pedimos. Mas Deus não se esquece. E não castiga com a demora. Às vezes, amadurece-nos nela.
A fé verdadeira na maternidade é aceitar que Deus sabe o tempo, o modo e o porquê. A mulher de fé não abdica do seu sonho, mas entrega-o. Não como quem desiste, mas como quem confia. E, enquanto espera, ama. Ama a si mesma, ama a vida, ama os outros e ama o Deus que continua a escrever histórias de redenção com o barro que somos.
Há mulheres que acolhem filhos no coração através da adoção, do apadrinhamento, do ensino, da amizade. Outras que cuidam dos seus alunos, dos sobrinhos, dos filhos das amigas como se fossem seus. E há aquelas que geram propósitos, projectos, comunidades, arte, acolhimento.
Cada mulher que ama com entrega e verdade é mãe de algo maior do que ela.
Esperar com fé é um desafio, mas também uma forma de louvor. É dizer a Deus: “Eu confio mais em Ti do que na minha pressa.”
E quando, por fim, a maternidade é alcançada, ela não é apenas uma graça, é um ministério. É uma vocação de entrega, sacrifício, paciência, sabedoria e amor incondicional. É construir o Reino no berço e na mesa de jantar, nas noites mal dormidas e nos dias de consolo e ensinamento.
Ser mãe com fé é formar cidadãos do céu enquanto vivemos neste mundo. E esperar por essa missão é também santificar-se.
Na certeza de que, em tudo, Deus vê, escuta, acolhe e transforma. Mesmo quando tudo parece silêncio, o céu continua a mover-se.
A cada mulher que espera com os olhos postos no alto e os pés firmes na terra: continua. A promessa não está morta. Apenas está a ser preparada.
E enquanto esperas, já estás a viver a fé.
Texto de autoria de Marisa, publicado em Fio de Imaginação (@tecehistorias).
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