"Luz e cinza."

 

O Manifesto das Sombras, da Luz e do Amor – Versão Viral Suprema

I – Nascer nas Sombras

Nasci nas sombras.
Enquanto outros colecionavam sorrisos, eu colecionava silêncios.
Feridas invisíveis.
Palavras que queimavam como ácido na pele e no coração.

Aprendi cedo:
O mundo não é justo.
A ternura é frágil.
O colo pode ser abismo.

As sombras ensinaram-me.
As sombras testaram-me.
As sombras moldaram-me.

Silêncio.
Medo.
Solidão.

E eu aprendi: o silêncio é espelho.
O medo é farol.
A solidão é mapa.


II – O Inferno que Respira

Cresci no inferno.
Não o inferno dos mitos.
Mas o inferno vivo, respirando dentro de mim, infiltrando-se na alma.

Ali, aprendi a engolir dor como pão seco.
Ali, aprendi a sobreviver.
Ali, fiz amigos inesperados: espectros, ecos, sombras fiéis.

No inferno não há máscaras.
Ou és chama, ou és cinza.
Não há meio-termo.

O mal respira.
O mal observa.
O mal calcula.
O mal prova a tua resistência.

E eu?
Aprendi a resistir.
Aprendi a caminhar quando o chão desaparecia.
Aprendi a levantar-me quando o corpo implorava por rendição.


III – As Perdas que Amputam

E vieram as perdas.
Perdas que arrancam o chão.
Perdas que deixam casas em silêncio.
Perdas que não cicatrizam.

A perda é amputação da alma.
O silêncio que sobra é mais alto que qualquer grito.

Aprende-se a caminhar, sim.
Mas manca-se para sempre.

Viver tornou-se sobreviver.
Sobreviver tornou-se ressurreição diária.
Não das trombetas celestes,
Mas da coragem de respirar quando tudo implora pelo fim.

E eu escolhi respirar.
E eu escolhi continuar.


IV – O Amor que Nasce da Cinza

Do inferno e da perda nasceu algo inesperado: o amor.

Amor radical.
Amor que é empatia.
Amor que é respeito.
Amor que é honestidade.
Amor que é altruísmo.
Amor que é compreensão.
Amor que é autenticidade.

O amor é trincheira.
O amor é altar.
O amor é resistência.
O amor é luz que explode na escuridão.


V – Permanecer em Deus, por Escolha

Escolhi permanecer em Deus.
Não por imposição.
Não por medo.
Não por tradição.

Escolhi porque já caminhei no inferno.
Escolhi porque conheci as sombras de perto.
Escolhi porque sei que há uma luz que não se apaga.

Eu ajoelho porque quero.
Eu permaneço porque escolho.
Eu sou livre na minha fé.

Deus não me impôs a luz.
Eu a escolhi.
Deus não me tirou o inferno.
Eu caminhei nele, sobrevivi, e voltei com a luz nas mãos.


VI – A Família: O Amor que Protege

Amo a minha família.
Protejo quem amo com fúria e ternura.

Se algo lhes acontecer —
sobretudo ao mais pequeno, à criança que carrega o mundo nos olhos —
eu posso descer novamente ao inferno.

Mas não desço sozinha.
Levo comigo tudo o que aprendi.
Levo comigo tudo o que sou.
Levo comigo todo o amor que me ensinou a resistir.

Não há força maior do que a fúria de quem protege.
Não há coragem maior do que descer ao abismo por amor.
Não há luz mais poderosa do que a luz que nasce da proteção e da empatia.


VII – Caminhar para a Luz

Caminho para a luz.
A luz não me foi dada.
A luz foi conquistada.
Arranquei-a das trevas com unhas, sangue e lágrimas.

Rir é vingança.
Chorar é purificação.
Abraçar é ressurreição.
Escrever é espada.

Quem lê, sangra comigo.
Quem lê, chora comigo.
Quem lê, aprende que a dor não é inimiga: é forja.

O mundo é brutal, mas também belo.
O mundo pode ferir, mas também ensinar.
O mundo pode quebrar, mas também transformar.

É no fogo que se prova o aço.
É nas trevas que se aprende a ver a luz.
É na perda que se aprende a valorizar o amor.


VIII – A Vitória da Escolha

Já vivi no inferno.
Já cresci nas sombras.
Já perdi tudo.
E ainda assim estou aqui:

Em pé.
Lúcida.
Sarcasticamente rindo.
Amando profundamente.
Escolhendo a luz todos os dias.
Escolhendo Deus todos os dias.
Escolhendo o amor todos os dias.

Se me quiserem infernizar outra vez, que inventem um novo inferno.
O velho já o conheço de cor.

E eu?
Eu já ardi.
Eu já sofri.
Eu já perdi.
Mas acima de tudo, eu já amei.
E é por isso que sobrevivi.

E sobreviver é revolução.
Amar é vitória.
Escolher é liberdade.
Cada alma que lê estas palavras pode erguer-se.
Cada pessoa pode atravessar seu próprio inferno.
Cada coração pode transformar dor em luz.
Cada vida pode tornar-se um manifesto.


Texto de autoria de Marisa, publicado em Fio de Imaginação(@"fios de imaginação") (@tecehistorias).

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