O poema parasita
Ah, parasitas, que bela confusão,
Chamam-me assim, com pouca noção,
Sem perceber o que estão a dizer,
Sussurram nas costas, com medo de me ver.
Dizem “parasita” com toda a leveza,
Mas olhem para vós, que grande fraqueza,
Atacam nas sombras, que coisa patética,
Não há coragem, só cobardia estética.
Ah, como vos falta uma espinha direita,
Preferem espreitar por trás da banqueta,
Falarem de frente? Isso é um pavor,
A vossa orientação é guiada pelo dorso, com fervor.
Vocês adoram o rabo, que coisa freudiana,
Sempre nas costas, que turma bacana,
Dizem-me parasita, como se fosse insulto,
Mas eu cá rio-me, a verdade é um culto.
Se eu sou parasita, então o que são vocês?
Um grupo de hospedeiros a balançar os pés?
Vivem para ser sugados, que bela missão,
A vossa insignificância é pura devoção.
Hipócritas natos, sem arte nem brilho,
Criticam de longe, nunca sem calafrio,
Rastejam nas sombras, que visão deprimente,
A vossa mediocridade? Uma ofensa consistente.
Enquanto eu sigo, na minha caminhada,
Vocês ficam atrás, na vossa emboscada,
Mas sussurrem mais, eu cá não me importo,
Só mostra o quanto vivem do meu suporte.
Sim, sou parasita, assumo com gosto,
Sugando a vossa pequenez a cada encosto,
Mas vocês, meus caros, são piores que eu,
Parasitas de bolso, sem brilho, sem véu.
Continuem a atacar, nas costas, com paixão,
A vossa falta de coragem é a vossa perdição,
Porque eu sigo em frente, sem hesitar,
Enquanto vocês, nas sombras, só sabem murmurar.
Portanto, obrigado pelo título pomposo,
Mas no fundo, todos somos um pouco parasitósio,
Desde o útero, até ao fim da linha,
Sugamos o que podemos, com pouca ladainha.
Mas há quem o faça com orgulho na mão,
E há quem se esconda na sombra, sem razão,
Então, chamem-me parasita, insultem à vontade,
Porque no fim, o que vos falta é dignidade.
Assim me despeço, com humor acutilante,
Vocês, nas costas, eu, sempre brilhante,
E na próxima vez que murmurarem por aí,
Lembrem-se: o verdadeiro parasita... são todos vós, enfim.