"O Regresso do Meu Filho: Um Reencontro com o Amor"

Ontem, o meu coração voltou a encontrar paz. O meu filho regressou das férias com o avô — dias que pareceram uma eternidade no relógio de uma mãe. Quando finalmente o vi, o mundo à minha volta abrandou, e tudo ficou mais nítido, mais certo. A saudade que me habitava calou-se num abraço apertado. Não era só ele que voltava. Era eu também.

Chegou com os olhos brilhantes e as palavras a correr-lhe da boca como uma torrente. Trazia o entusiasmo das descobertas vividas, da liberdade, das histórias contadas à volta da mesa e do cheiro a terra quente que só o verão na casa dos avós conhece. Estava feliz. E eu, por dentro, silenciosamente, respirei alívio — aquele alívio que só uma mãe entende, quando vê que o seu filho está bem, inteiro, alegre.

Hoje, surpreendeu-me com aquele gesto que, para o mundo, pode parecer pequeno, mas para mim foi tudo: ligou-me e disse com firmeza, com aquela segurança de quem sabe o que quer,

"Mãe, vou ter contigo. Quero estar com os nossos amigos e ir para a piscina."

Sorri. Perguntei-lhe se a casa era nossa — não por dúvida, mas por cortesia, por ternura, porque há gestos que são mais do que palavras. E ele, com um sorriso audível, respondeu que sim. Eu já sabia. Mas quis ouvir da boca dele. Há rituais que confirmam vínculos, mesmo quando não são necessários.

E veio. Chegou com aquela luz que transporta consigo, sempre. Correu para a piscina, ansioso por se atirar à água. Esteve sozinho ali, nadando com uma liberdade encantadora, dono do seu corpo e do seu tempo. Mas, cada vez que me via, fazia questão de me mostrar algo novo: um mergulho mais fundo, uma braçada mais certa, uma cambalhota inesperada. Era como se dissesse: "Olha, mãe, olha o que aprendi! Vê-me, partilha comigo esta vitória."

E eu via. Cada gesto dele era um presente. Aquele orgulho subtil, o desejo de me incluir na sua conquista, a necessidade doce de ser reconhecido por mim. Era um espetáculo a dois, num palco de água, sol e amor. Eu, expectadora encantada. Ele, protagonista absoluto do meu coração.

A manhã passou assim, entre mergulhos e olhares cúmplices, entre o silêncio confortável e os sorrisos trocados à distância. A alegria dele encheu a casa, o jardim, e também a alma de quem ali estava. Porque há crianças que não precisam falar para animar um dia — basta-lhes ser.

Ser mãe é viver assim: num estado de atenção permanente ao detalhe, ao gesto, ao sinal. É reconhecer, no mais pequeno movimento, uma declaração de amor. E hoje, ao vê-lo naquela piscina, tão seguro e tão meigo, percebi, mais uma vez, que ele é o melhor de mim, o meu reflexo mais bonito, a parte do meu mundo que me torna inteira.

E quando a água já acalmava e o sol se inclinava devagar, senti-me grata. Grata por este dia. Grata por ser escolhida, mesmo nas pequenas coisas. Grata por ter a sorte de ser mãe deste ser maravilhoso que me ensina, todos os dias, a amar mais e melhor.

Hoje, fomos nós. Só nós. E foi perfeito.


Texto de autoria de Marisa, publicado em Fio de Imaginação (@tecehistorias).

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