Despertares

 Ah, às seis da manhã. A hora mágica em que o mundo ainda está indeciso entre continuar a dormir ou começar a funcionar. Levantar a essa hora é um ato de heroísmo digno de ser registrado nos anais da história. Porque, claro, quem mais teria a audácia de desafiar os deuses do sono para colocar a casa em ordem antes que a civilização acorde?Primeiro passo: sair da cama. A batalha contra o despertador é árdua. Esse pequeno demônio eletrônico que, com seu toque estridente, lembra que a vida adulta não é para os fracos. Arrastar-se até o banheiro é um exercício de superação, quase um triatlo matutino. Tomar um duche é a tentativa desesperada de lavar o cansaço e a resignação, preparar-se para a maratona do dia. Agora, vestir-se. Ah, que momento sublime de escolher o uniforme de combate para a reunião escolar. Mais uma oportunidade para ouvir sobre as conquistas e desafios do pequeno gênio. E claro, para fingir interesse nas aventuras escolares enquanto a mente divaga sobre a lista interminável de tarefas que ainda precisam ser realizadas. Uma das coisas que mudaram em mim é tenho pouco interesse em partilhar informações sobre assuntos escolares.

Após a reunião, começa a corrida de obstáculos. Há sempre outra coisa a fazer, depois mais uma, e mais outra. O relógio parece zombar do esforço humano, acelera cada vez que uma tarefa é concluída. A sensação é de estar sempre atrasado para o próximo compromisso, em um ciclo infinito de produtividade. A casa? Bem, que os que acordarem depois que se entendam com a desordem restante. Afinal, é preciso ensinar independência e responsabilidade desde cedo, não é mesmo? Que fiquem com a missão de arrumar o caos que deixaram para trás, porque o mundo não para e há sempre uma nova missão a cumprir. Ah, o glorioso caos da rotina matutina. Um espetáculo digno de uma tragicomédia, onde cada ato é uma dança entre a eficiência e a insanidade, a organização e o desespero. Gerir o tempo é uma arte, uma constante tentativa de domar o indomável. No final do dia, só nos resta rir de tudo isso, porque a vida, com todas as suas absurdas exigências, não pode ser levada tão a sério.


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