Desmascarar...
Que emoção profunda tomou-me ao descobrir que um espírito altruísta decidiu enviar e-mails em meu nome!
Não, não é uma novela de horário nobre nem um filme de terror B. É algo muito mais intricado, talvez até uma manifestação de amor incondicional.
Imagine só: alguém, em um surto de devoção, decidiu que a sua identidade é, na verdade, dispensável.
Isso não é apenas uma imitação barata de "Cisne Negro" ou uma versão trágica de "A Usurpadora". É uma nova forma de arte performativa, onde a tela do computador é o palco e o destinatário desavisado é a plateia. O autor desses e-mails anônimos, provavelmente um gênio incompreendido, acredita piamente que meu nome é um bilhete de loteria premiado, digno de ser compartilhado com o mundo.
É de uma infantilidade tocante. Como uma criança que acha que esconder-se atrás de uma cortina a torna invisível, esses usurpadores digitais acreditam que suas ações passam despercebidas.
Se ao menos pudessem usar suas próprias identidades! Mas não, escolheram o caminho mais sinuoso, aquele que leva ao nada.
E que caminho errado eles trilham!
Como Dom Quixote a atacar moinhos de vento, estes heróis contemporâneos lutam contra a moralidade, a ética e o bom senso. Pensam talvez que estão a salvar alguém, mas na verdade, estão apenas a afundar-se mais e mais na lama de suas próprias ilusões.
Se ao menos soubessem que o verdadeiro ato de coragem é ser autêntico. Usar o próprio nome, assumir as próprias palavras. Mas não, preferem a covardia elegante de uma máscara digital. E assim, continuamos, espectadores dessa tragicomédia, á espera pelo próximo ato, onde talvez, só talvez, o vilão revele-se um herói redimido. Mas até lá, resta-nos rir da desgraça alheia, porque afinal, a comédia e a tragédia andam de mãos dadas neste teatro do absurdo.
Felizmente, meus admiradores, ao serem descobertos, decidiram interromper essa prática heroica de se apropriar de identidades e terminaram a missão de me escrever e-mails tocantes cheios de carinho.
Que tocante visão de redenção!
A esperança renasce, e quem sabe, outros sigam o exemplo e deixem de lado a tentação de usar meu nome como se fosse um disfarce qualquer.
É quase um conto de moralidade moderna, onde os vilões, confrontados com a luz da verdade, optam por abdicar de seus caminhos tortuosos.
Que inspirador!
Que não usem meu nome, que se abstenham desse roubo quase infantil, como crianças que finalmente entendem que a brincadeira tem limites.
Assim, caminhamos juntos para um futuro onde cada um assume a própria identidade, enfrenta o mundo de cara limpa. Afinal, ser autêntico é o verdadeiro ato de bravura. E que o riso, mesmo ácido e negro, sirva para iluminar esse percurso, tornar mais leve a jornada de sermos, simplesmente, nós mesmos.
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