"Do Fogo à Forja da Minha Grandeza"

Eu sei. Sei o quanto sofri, o quanto chorei em silêncio, o quanto o meu coração foi rasgado por dores que pareciam maiores do que a própria vida. Sei, também, que aquilo que quase me destruiu foi, paradoxalmente, o que me fortaleceu. O que pensei ser ruína foi, afinal, pedra fundadora.

As quedas que julguei fatais foram apenas degraus secretos. As lágrimas que queimaram o meu rosto foram o sal da coragem. As batalhas que acreditei perdidas eram, afinal, exercícios da minha resistência. Descobri que a grandeza não floresce em jardins de conforto, mas nasce, sim, da dor transformada em força — como ferro em brasa que só no fogo se purifica.

O mesmo fogo que ameaçou consumir-me foi o que me forjou. E hoje compreendo: o que parecia fim era, na verdade, princípio. Não se mede uma vida pelas vezes que caiu, mas pela altura a que se ergueu depois de sobreviver ao que parecia mortal.

Eu sou mais forte do que imaginei ser. E ouso dizê-lo: a viagem mais radical não é até às montanhas, aos oceanos ou às estrelas. É até mim mesma. Porque as pessoas atravessam mares para admirar a vastidão das ondas, erguem os olhos para as constelações, extasiam-se diante de catedrais e construções — mas passam por si mesmas sem se deterem, sem se admirarem.

Eu não passo mais por mim de olhos fechados. Eu admiro-me. Eu amo-me. Não por vaidade, mas porque aprendi: só quem se ama infinitamente tem reservas de amor para oferecer. Só quem se reconhece no espelho da sua própria grandeza pode, enfim, ver o outro com verdadeira admiração.

A minha dor não foi vã. A minha resistência não foi em vão. Eu sou a cicatriz que se fez beleza, a queda que se fez ascensão, a ruína que se fez recomeço.

Eu sou — e digo-o sem medo — a grandeza que nasceu do fogo.


"Texto de autoria de(tecehistorias ) <Marisa>, publicado em Fios de Imaginação(@"fios de imaginação") (@tecehistorias)."

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