"A paz"
Hoje falava com uma amiga e, como tantas vezes acontece nas conversas que começam num lugar banal e acabam num lugar que não esperávamos visitar, o diálogo desviou-se para uma pergunta. Ela olhou para mim e perguntou: — Depois de tudo aquilo por que passaste… depois desse caminho, desse sofrimento… como é que endireitaste? Como é que encontraste a paz? Eu comecei a rir. Não por desrespeito pela pergunta. Nem porque a resposta fosse simples. Ri porque percebi que, durante muito tempo, eu própria tinha feito exactamente a mesma pergunta às pessoas que me pareciam tranquilas. Como se a paz fosse um lugar. Como se existisse uma estrada secreta. Como se houvesse um dia específico em que alguém acorda e diz: agora sim, finalmente encontrei-a. E respondi-lhe: Amiga, acho que há uma coisa que descobri tarde. A paz não se procura. A paz não se encontra. A paz escolhe-se. E dizer isto não significa dizer que a dor desaparece. Nem que a vida se torna leve. Nem que deixamos de t...